Margem consignável CLT: como calcular os 35% do seu salário
O que entra e o que fica de fora da base de cálculo, como descobrir a margem livre e por que o valor aprovado quase nunca é o que você imaginou.
A margem consignável é o teto de quanto do seu salário pode ser comprometido com parcelas descontadas em folha. No Crédito do Trabalhador, ela é de até 35% da remuneração disponível. Parece simples — até a simulação aprovar bem menos do que você calculou em casa.
O motivo quase sempre é a base de cálculo. Este guia mostra como chegar ao número certo antes de pedir crédito.
A conta base
A margem não incide sobre o salário bruto nem sobre o valor que cai na conta. Ela usa a remuneração disponível: o bruto menos os descontos obrigatórios, principalmente INSS e Imposto de Renda.
Fórmula prática: (salário bruto − INSS − IRRF) × 35% = margem consignável total.
| Salário bruto | Remuneração disponível (aprox.) | Margem de 35% (aprox.) |
| R$ 1.600 | R$ 1.470 | R$ 514 |
| R$ 2.500 | R$ 2.260 | R$ 791 |
| R$ 4.000 | R$ 3.480 | R$ 1.218 |
| R$ 6.000 | R$ 4.960 | R$ 1.736 |
Os valores acima são aproximações para você ter ordem de grandeza. O cálculo oficial usa as tabelas vigentes de INSS e IRRF e os descontos que aparecem no seu holerite.
Margem total x margem livre
Esses 35% são o teto, não o disponível. Se já existe consignado ativo, cada parcela ocupa um pedaço. A margem livre é o que sobra:
- Margem total (35%): R$ 791
- Parcela de consignado já ativo: R$ 300
- Margem livre: R$ 491
É a margem livre que define o valor máximo do novo empréstimo. Quem já tem contrato e quer aumentar o valor precisa olhar refinanciamento ou portabilidade, não uma nova contratação por cima.
O que entra e o que fica de fora
- Entram salário-base e verbas de natureza salarial habituais
- Ficam de fora vale-transporte, vale-alimentação e reembolsos, por não serem salário
- Oscilam horas extras, adicional noturno, periculosidade e comissões — sobem a margem em um mês e derrubam no seguinte
Quem tem renda variável precisa de atenção redobrada: uma margem calculada em mês de comissão alta pode não se sustentar no mês seguinte, e o desconto continua.
Como consultar a sua margem
- Abra o holerite do mês vigente e localize bruto, INSS e IRRF.
- Some os descontos de consignado já ativos.
- Confira na CTPS Digital os contratos de Crédito do Trabalhador averbados.
- Aplique a fórmula ou peça a consulta na simulação — o sistema devolve a margem oficial.
A consulta no fluxo oficial vale mais que qualquer conta de padaria: ela lê o eSocial, que é a fonte usada pelo banco.
Usar os 35% é uma boa ideia?
Quase nunca. Margem no talo significa nenhum espaço para imprevisto e nenhuma chance de contratar outra coisa nos próximos meses. Antes de decidir, faça a conta ao contrário: veja quanto sobra do salário depois da parcela, e não quanto o sistema aprova.
Uma régua simples que usamos no atendimento: se a parcela consome a folga do mês inteiro, o valor está errado — mesmo aprovado.
Perguntas frequentes
A margem é sobre o bruto ou o líquido? Sobre a remuneração disponível: bruto menos descontos obrigatórios (INSS e IR).
Décimo terceiro entra na margem? Não. O manual do MTE limita o desconto às doze competências mensais, então o 13º não sofre desconto do consignado — detalhes em consignado CLT desconta no 13º e nas férias.
Minha margem mudou de um mês para o outro. Por quê? Hora extra, falta, mudança de salário ou início/fim de outro desconto em folha alteram a base de cálculo.